Pular para o conteúdo principal

Como Adam virou uma fera?

Contar uma história é sempre legal, mas se tem uma coisa que é fácil é contar uma história que todo mundo gosta! Daquelas do tipo que é bem popular, já que todo mundo conhece bem... por exemplo, a história da Bela e a fera, quem não conhece, não é mesmo?

Pois é, mas agora eu não quero contar essa história, mas sim, vou contar a história antes desta história: você já se perguntou o que fez o príncipe Adam se tornar uma fera horrenda? Nãaaaaaaoooo?

Imagine só um reino muito rico no qual um belo príncipe pode fazer o que bem entende, e já na idade de casar resolve que vai fazer diferente de todos os outros príncipes. Ele vai namorar! Mas não é namorar como a gente faz hoje, já que naquela época as coisas eram diferentes, ele fazia assim, ia para a aldeia e procurava a moça mais bonita, como neste caso que vou contar, a moça mais bonita era loira e tinha os olhos bem azuizinhos! Quando ela o viu, se apaixonou na hora, o príncipe então a convidou para conhecer o seu castelo. O castelo você já conhece muito bem, aquele lindo, cheio de preciosidades, riquíssimo e com um belo jardim, e a moça pobrezinha... ficou encantada. O príncipe prometeu tudo para ela, e no dia seguinte... fingiu que nem a conhecia!

Foi novamente para a aldeia e encontrou a mais bela moça, que era morena, com olhos castanhos e adivinha o que aconteceu?! Exatamente a mesma coisa! Coitadinha das meninas. Tão belas, e apaixonadas pelo homem mais belo que apareceu na aldeia, e que ainda era muito rico, e elas pobres... uma história de contos de fadas maravilhosa dessas, devia ser a coisa mais linda passear com ele por aquele jardim maravilhoso, conhecer todas as suas louças caríssimas, comer aquele banquete!

E toda noite o Príncipe encontrava uma garota mais linda que a outra, até que um dia ele estava na aldeia, e uma viajante apareceu, uma mulher que tinha a pele mais escura que ele já tinha visto, os cabelos mais crespos e macios que ele poderia conceber em sua imaginação, mais alta e majestosa que ele poderia ver um dia, e ele decidiu que ele a namoraria... você sabe bem como. A quinquagésima namorada dele!

Ela não deu muita atenção para ele, e então ele se esforçou bastante e conseguiu que ela fosse conhecer o castelo dele, pois foi só por isso que ela resolveu ir com ele, para ver seu castelo e “O jardim mais lindo que ela veria na vida”, e isto todas as pessoas dali garantiam para ela.

Ao chegar no castelo, ela que era uma viajante muito experiente disse que não estava espantada com nada daquilo, e que o jardim nem er tão especial, com suas rosas comuns. Ela disse que preferia a beleza da natureza e as rosas selvagens. Então, o príncipe disse que sua terra era muito especial, adubada com esterco de camelos importado diretamente do oriente e que ela não tinha visto o mais impressionante. Ele suava frio, e a desafiava “Vou mostrar a rosa mais rara de toda a Terra!”, e a levou para uma estufa bem no meio do jardim, da qual emanava um brilho dourado “aqui a terra é negra de vulcões ainda em erupção, e aerada com ouro em pó 24 quilates!”.

Ele deixou a dama entrar a frente e ela então teve uma vibração fortuita no olhar, sorriu e se adiantou, pegando a rosa e rindo ruidosamente: “Príncipe Adam, eu te amaldiçoo!” , “minha rosaaaaaaaaaaaaaaaaaa” ele gritou, entrando na estufa e tentando tirar a flor das mãos da mulher, que astuta desvia e lançava a maldição, até que ele caiu no chão: “você é um homem sem coração, e esta rosa representa a sua alma, bela e sem nenhuma esperança. Você veio enganando mulheres por puro luxo, para se gabar e sem mesmo ter a intenção de amar um dia! Agora eu te amaldiçoo a ter a aparência física da tua alma mesquinha e má! A sua única saída será aprender a amar e se libertar de todo o luxo e toda a mesquinharia, de maneira sincera! Até que a última pétala desta rosa caia, ou nunca conseguirá ser um humano!”.

Quando a linda mulher terminou de proferir a maldição Adam foi se encurvando, rugindo, estourando e tufos de pelos, chifres, garras, dentes, olhos estourando seu tamanho triplicou, e ele sentia muita dor.

Ele conseguia entender tudo o que era dito, e conseguia responder. “Você me entendeu? Responda”

“Sim”

“Este é um serviço prime do sindicato das mulheres da aldeia, serviço que pretende direitos iguais, quanto antes você aprender, melhor para a nossa sociedade. Toma o meu cartão de visitas.”

E assim a história tem um grande hiato de Adam tentando casar com um monte de moças, mas durante muitos e muitos séculos não era isso o que ele tinha que fazer, e você pode entender melhor no conto “A bela e a fera”.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Poema unicórnio

 Se eu paro A paralisia é um sinal Mas o diagnóstico É possível  Da passividade  Do profissional E não de mim Se há veneno Ou é psicossomático O corpo É social Posso falar Mas a audição É real ou virtual? A minha ação não  Faz mais que  condição  E o planejamento Condiz com a prática E a ática  Reverberação dissociativa Literária precisa de uma Relação interlocutiva Ou não Não mais Não mais Não mais O resultado é solitude É solidão É produto  Não é reduzido É produto Pro du to A di ver são  A ca bou 16/4/2021

O anel da falecida de Edson Gabriel Garcia

 

Eternidade no chinelo

Dormíamos todos no mesmo quarto, e já tínhamos uma sala nesta altura da vida. A gente dormia em beliche, eu e meu irmão, e como sou mais velha ficava embaixo. A mãe nos botava para dormir cedo, depois de um dia cheio  de “ô mãaaae, olha ele!”, “foi ela!”, - chinelo voador. Isto, de fato, era todo dia e geralmente íamos dormir magoados e de bundas quentes. Anos 90 eram diferentes, vocês precisam entender, não é uma ode  à violência contra a criança. Pois é, mesmo assim os chinelos, sempre os chinelos, e todas as vezes que aquele moleque subia na beliche largava os dele lá do alto para eu ter que arrumar os chinelos virados, já que estes eram motivo de medo e raiva, pois continham muito poder. Ele chiava: “Desvira.” “Não” - chiava eu de volta “Se ela morre, a culpa é tua.” “O chinelo é teu.” “Eu estou pedindo.” - Miava. “Não.” “...” “Não. Não. Não. Não. ...” Ele descia e desvirava o dele, pegava os meus e os virava lá do outro lado do quarto, dizendo: “Ah é, é? Você vai ver!” D...