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Mostrando postagens com o rótulo Ilustrações

Nostalgia

Nos ecos do passado Arremessam-me fotografias, Eu, fulano, ciclana, lado a lado, Memórias frívolas, galgadas nos dias. Das imagens os afetos, risos e alentos A família, os amigos, mas a mim não reconheço, A fotografia, a roupa, não está a contento O registro que há do que era me pareço! As vozes ecoam: gorda! gorda! gorda! Mas ali, bochechas e queixos pueris, Pescoço fino, braços finos como não condiz! As vozes ecoam: gorda! gorda! gorda! Eu sei que era gorda, sempre sinto-me como em ostras... Mas nestas fotos a criança é magra, como as outras! Para mim: gorda! gorda! gorda! Para as outras: ma-gre-la! ma-gre-la! Aquela foto é minha, mas na foto? Quem é ela? poema de   26.3.2020 por Laura Lucy Dias #poema # poesia #rim as #rima #literaturabrasileira #autorabrasileira #autorretrato #autopercepcao #autoestima #distorcaodeimagem

Às vezes o óbvio precisa ser dito

 A história que eu vou contar aqui tem muitas camadas, e é tão ridícula que eu pensei muito sobre contá-la, não devido a história em si, e sim pelo quanto uma coisa irrisória pode mudar tanto a história de uma pessoa tão insignificante quanto eu. Lembre-se que isto aconteceu na década de 1990. Estava eu, lépida e faceira em minha tenra quinta série (equivalente a sexta série na data de 2020), quando a professora de português, de nome Hilda, fez um anúncio à toda a sala: Vamos fazer uma prova diferente desta vez, vocês terão que ler um livro para responder a prova, o livro se chama "O pequeno príncipe"; e passou data de  longo prazo, que eu anotei, e pensei com desespero de causa perdida: Ok, vamos fazer a prova na raça, pois nunca li um livro inteiro, afinal, quem faz isso? E meu pai não vai comprar mesmo, ele nunca compra nada, se eu pedir, já viu! Ainda mais um livro enorme assim! Gente, eu juro, na minha memória, todas as crianças que estavam com o livro tinham um livr...

Um pacto de sangue

Vou começar a falar sobre como cada um é fruto de sua árvore, e neste sentido, quero especificamente dizer que somos frutos de nosso meio, ainda posso espezinhar mais: filho de peixe, peixinho é. Talvez, devido ao fato de hoje ser dia trinta e um de outubro e à relação do meu cargo eu possa ser mais distinta e ofensiva com você,  jovem padawan: nós somos os demônios e fantasmas escarrados das misérias de nossos criadores.       Ah, mas não se desespere, afinal se por acaso se desesperar é só um reflexo do seu acúmulo e herança tanto familiar quanto da tribo com a qual conviveu. Ele é o termo mais adequado para nossa geração que reconhece infância e adolescência e eu nasci nos anos oitenta e vivi minha adolescência nos anos noventa, no Brasil.       Dentro da minha casa eu tinha influências e fora dela outras quem é parceiro deve estar dando um sorrisinho de ladinho, à pegada Dean Winchester, lembrando de como era a sua turma e das roupas que usava. Alé...

Amizade de 1 centavo

 Tudo o que é distante é relativo. O que não é relativo é o dinheiro e o quanto podemos perceber de nossa realidade segundo o pensamento da classe dominante. Quê? Se eu tenho um centavo eu compro o quê? Nada! Ah, não é bem assim... mas há quanto tempo não vejo uma moeda de um centavo! Bem, se eu quiser eu compro um selo, e se um tiver cadastro no Bolsa Família, mando uma carta social!!! Porém, e se eu não tiver papel, lápis e envelope? Tudo que é distante é relativo, hoje para mandar uma carta social eu preciso ser cadastrado no Bolsa Família e ter um centavo, mas antes não. Do que é que eu estou falando? Bem eu falo da década de 1990, viu como é relativo? Ainda não havia internet no Brasil "que nem água". Eu, como uma garota paulistana periférica e da rede pública de ensino, com o privilégio da pele branca e família nuclear, descobri o mundo da literatura â força aos doze anos, assim como o mundo do anime com os Cavaleiros do Zodíaco, e a gente, ou , a garotada, andava em to...

Quando eu sonho

A intervenção Do inconsciente Evidente, prudente Plano do coração Antifaz-se no passo Sílaba e compasso Limítrofe, porém Sem semáforo Do que me propõem Em qualquer desaforo. Faço pólen E um a um, O sonho, Eu ponho No comum.   30/7/2019 #poema #poesia #poetry #ilustração #ilustration #bee #abelha #girassol #sunflower #sonho #dream #autora #ilustradorasbrasileiras #autorabrasileira

Naiá

Olhar Jaci à noite é para mulher corajosa, ainda mais se for moça jovem e bonita. Assim como qualquer moça que lê esse escrito aqui. Sabe, é que Jaci leva algumas delas quando quer e faz delas estrelas, todas em volta dele, brilhando. Outro nome para Jaci é lua. Em outras aldeia nem sempre a gente vê as pessoas chamando a lua de Jaci, pois não sabem desse nome para a lua. E as moças não têm medo de serem levadas, pois não sabem desse gosto e acabam virando estrela sem saber o motivo. Eu vou falar para vocês da Naiá, que é a indígena mais corajosa que eu conheci, e se bobear a que você já conheceu, por todos os tempos anteriores aos da colonização, pois daí por diante, a bravura é outra, e se faz perdurar até hoje, e fica melhor a gente ler nos relatos que nos contos e recontos populares, não é mesmo? Naiá era das indígenas que ouviam a história dos anciãos e sentia um grande calafrio: “como será ser uma estrela?”, Jaci ela conhecia, pois ele não levava jovens crianças, só as moça...

Leite com café

   Visitas à casa da minha avó eram um ritual semanal, aos sábados. Minha mãe nos acordava cedo e nos vestia, eu e meu irmão, e os três nos encaminhávamos pelas ladeiras da vila e pegávamos um ônibus até a casa que se encontra na viela. Meu pai não nos acompanhava, e quando estava de folga, meu avô estava lá. Normalmente era como neste dia: eu, minha mãe e avó, meu irmão e meu tio da minha idade.    Só lembro deste dia por conta de que, o meu aniversário é no dia quinze de novembro, e até então eu vinha aniversariando normalmente, e neste ano em específico, 1989, passaram a fazer ressalvas ao meu dia, que seria o dia da eleição, e ficarem me atentando aquilo era realmente um saco.    Minha avó serviu o leite quente com café, um copão enorme, lembro que minha cara ficava na altura da mesa, imagine só o cotovelo!  E todos já falavam "Não derrube o copo, Laurinha!". Aha, um gole e o leite ia por toda a toalha. "De novo, Laurinha!", posso dizer que eu con...

Dicotômica

Eu me sinto dura No establishment Dentre o azul e o amarelo Escura. Sujeitagentedesprovidameiotransmorfa Um jardim de caras Não monetizada, abjeta Turva. Regular no sentido da esteira Polarizada nos direitos Públicos sobre o mim Interditada. 9/3/2019

Destino

Ela tomou um rumo que não era o dela Ela tomou um rumo que não era o dela Ela tomou um rumo que não era o dela Ela tomou um rumo que não era o dela Ela tomou um rumo que não era o dela Ela tomou um rumo que não era o dela Ela tomou um rumo que não era o dela 5/3/2019 #poema #poesia #poetry #autoranacional #poeta #poetisa #literatura #emancipacao

Fada

Num mundo duro Encontro em você a maciez O que procuro Não importa, você se fez Tez, cabelos, voz, maciez O quê que você fez? Pôs-me canção nos lábios, Arte nos dedos, deu coerência aos sábios Com a vicissitude lúdica, lúcida, macia... que tu és. Tez, cabelos, voz, maciez Te coloco em casa Conquanto destas faceirices De que a mim defasa Os limites do que se faz insensatez. 12/2/2019 #poema # #poema #poesia #ilustracao #lírico #literatura #autorabrasileira amor #autorabrasileira #literatura #literaturabrasileira #poesia

A música que David Bowie escreveu para mim

Você sabe aqueles quizes de internet que a gente faz para saber quem seria no Friends, por exemplo? Ou "responda este teste e descubra que cor você seria!", também tem aqueles "responda estas perguntas e nós te mostramos o amor da sua vida!", esse é o mais legal, não é? Sempre sai a minha mãe, é incrível. Pois é, eu estava lá, fazendo os meus testes para redefinir o meu lugar no universo quando um deles simplesmente me pergunta se eu sei qual a música mais importante da minha vida! MANO DO CÉU, como assim, é claro que eu sei... é... não, espera.... gente! Como que responde isso com um sim ou um não? Cadê o espaço para a playlist , galera? Ah... eu tenho que saber, não é? Tenho que saber qual é a única música. Provavelmente você deve estar pensando sobre o título deste texto, e cá entre nós, tu não tem ideia da importância desta figura para mim. Porém, o problema maior não é esse, e eu chego lá, pois de fato vou convencer você que David Bowie também é i...

Eternidade no chinelo

Dormíamos todos no mesmo quarto, e já tínhamos uma sala nesta altura da vida. A gente dormia em beliche, eu e meu irmão, e como sou mais velha ficava embaixo. A mãe nos botava para dormir cedo, depois de um dia cheio  de “ô mãaaae, olha ele!”, “foi ela!”, - chinelo voador. Isto, de fato, era todo dia e geralmente íamos dormir magoados e de bundas quentes. Anos 90 eram diferentes, vocês precisam entender, não é uma ode  à violência contra a criança. Pois é, mesmo assim os chinelos, sempre os chinelos, e todas as vezes que aquele moleque subia na beliche largava os dele lá do alto para eu ter que arrumar os chinelos virados, já que estes eram motivo de medo e raiva, pois continham muito poder. Ele chiava: “Desvira.” “Não” - chiava eu de volta “Se ela morre, a culpa é tua.” “O chinelo é teu.” “Eu estou pedindo.” - Miava. “Não.” “...” “Não. Não. Não. Não. ...” Ele descia e desvirava o dele, pegava os meus e os virava lá do outro lado do quarto, dizendo: “Ah é, é? Você vai ver!” D...

Pó de estrela

Eu tento ser um lugar seguro E garantir amenidade e conforto  Para quem vem de encontro ao meu lume no escuro, Mesmo que eu esteja distante do conceito do porto. Portanto, o muro, quando se estabelece incongruente Na pista sólida, macia e bem construída da expectativa Dos meus projetos pessoais, sobrepõe o contingente Que há de mim para o além da tentativa Às vezes eu não posso Às vezes eu não poço E o lume vem de lá Às vezes eu posso Às vezes eu poço E o balde é dela Laura Lucy Dias 10/2/2019

Compartilhamento

Compactuando convencionalmente, pego-me à pena, e não a digitar, visto que a resposta da autoria é autorizar o discurso de mim para outrem sem qualquer repúdio, e com tamanho vilipêndio ponho-me a endireitar-me a fala dentro de uso vulgar do gênero tal para que se faça o ato comunicativo, se é que realmente isso se valora em nossa relação. ( OUVIR ) O meu papel de estar aqui a produzir , o teu papel de estar aí, a ler-me, que tal é? Neste momento incomoda-me, sabia? Ah, mas, é claro que não, como saberia, se eu não o enunciasse, não é mesmo? Incomoda-te? Ponho-me a perguntar-me de que tipo és, do que só lê ou do que se põe a publicar, a ponto de, quem sabe, escrever um livro pomposo, lustroso, todo culto, cheio de ordem, e ensinando-nos em como ser e pensar... ou só compartilhas na rede social e status ? Hum... então, tens status , não é mesmo? Palavra gringa , infla o ego, dá até pra ver quem viu, saber quem é fã... ou stalkear ! Já pensaste nisso? Como um mico de circo? Ah, não sabes...

Já tomou um chá hoje?

    Estou criando uma série de ilustrações com a #bomhabito , que pretende trabalhar imagens e uma chamada para um hábito simples e que se ligue à tendências de autoconhecimento.     Neste caso tomar chá todo dia tem sido um ritual de escolha minha, no qual eu misturo ervas para buscar sabores, aromas e nutrientes, e por fim cores.    Na arte vou usar sempre as mesmas características de traços e cores, assim como preenchimentos, pois estou exercitando estilo (estudando e praticando)  e usando referências, além de não fazer muita cobrança. É parte do meu processo de autoconhecimento.    Fica o meu convite a você para pensar sobre autoconhecimento! Hoje só vou deixar essa dica.     Replico no instagram @lauralucydias e no facebook na página Laura Lucy Dias.    Muito obrigada por passar por aqui. ^^ #bomhábito #habitosaudável #ilustração #ilustracion #ilustration #inktober #inktoberbr ...

Audiolivro: uma estratégia para uma leitura amplificadora

      O audiolivro é uma tecnologia disponível para nós acessarmos um mundo de ideias e conhecimentos que às vezes fica restrito pelas condições que a vida nos dá, seja ela a correria, a falta de visão ou alguma condição adversa, a falta de alfabetização ou outras questões que não tenho em minha mente aqui.     Podemos partir daqui para a minha experiência com o audiolivro para que você entenda e, quem sabe, resolva adotar esta prática em conjunto à leitura do texto gráfico.     Como professora de Língua Portuguesa, eu queria ter a experiência do Audiolivro e não tinha tempo, então propus aos meus alunos do sétimo ano de 2012 para que fizéssemos a audição do livro "Meu pé de laranja lima", e em conjunto anotássemos as nossas impressões, quem eram os personagens e onde se passava, para que pudéssemos nos lembrar posteriormente. Não levou muitas aulas, e o livro é muito envolvente e para ajudar retrata um garoto muito parecido co...