Nos ecos do passado
Arremessam-me fotografias,
Eu, fulano, ciclana, lado a lado,
Memórias frívolas, galgadas nos dias.
Das imagens os afetos, risos e alentos
A família, os amigos, mas a mim não reconheço,
A fotografia, a roupa, não está a contento
O registro que há do que era me pareço!
As vozes ecoam: gorda! gorda! gorda!
Mas ali, bochechas e queixos pueris,
Pescoço fino, braços finos como não condiz!
As vozes ecoam: gorda! gorda! gorda!
Eu sei que era gorda, sempre sinto-me como em ostras...
Mas nestas fotos a criança é magra, como as outras!
Para mim: gorda! gorda! gorda!
Para as outras: ma-gre-la! ma-gre-la!
Aquela foto é minha, mas na foto? Quem é ela?
poema de 26.3.2020 por Laura Lucy Dias
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