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Mostrando postagens com o rótulo Resenha de livro

Antracite é uma ode a Twin Peaks e eu posso provar, ou quase

Acabei de assistir à nova série Antracite em duas sentadas (16-17/04/2024), e achei a linguagem bastante fluida e divertida, conectada e moderna, e não deixou a desejar no quesito de homenagem ao grande evento que foi Twin Peaks desde a década de 1990. Vou tentar estabelecer algumas relações aqui para nos divertirmos um pouco. Para começar, é preciso fazer algumas revelações, ou seja, haverá SPOILERS para ambas as produções, portanto, vá com cuidado e boa sorte. Antracite ocorre em uma cidade chamada Léviona, onde os habitantes a chamam de aldeia. Assim como Twin Peaks, Léviona tem uma placa icônica em sua entrada que diz "Paraíso na Terra". Essa placa, assim como a famosa placa de Twin Peaks, destaca a importância do ambiente, que é mais significativo do que parece. Ambas as produções usam o cenário como metáfora, uma espécie de cebola que, à primeira vista, parece bonita e simples, mas à medida que você vai retirando as camadas, ela fica mais ácida, putrefata e amarga, faze...

Cesar Aira e o absurdo em "Como me tornei freira"

Se você já viu literatura nonsense, sabe que lidar com o absurdo está para a comédia e a fantasia de um modo que faz o seu cérebro dar uma certa expandida, e às vezes num sentido bom e às vezes nem tanto. O fato é que para desenvolver sinapses no cérebro, precisamos desafiar a nossa mente, aprendendo com livros que tragam realmente propostas de aprendizagem, livros que sejam da nossa prática e que gostemos e livros que mexam com nosso lugar no mundo, fazendo a gente questionar, inserindo novas imagens na nossa cabeça, sejam imagens literalmente, aquelas que vemos para quem consegue ver imagens na mente, ou aquelas que ficamos discutindo com nosso eu interno durante a nossa vida, ressignificando. O nonsense mexe com a gente de um jeito que perdura, afinal, "Alice no país das maravilhas", um grande modelo do absurdo, perdura pelas possibilidades que ele gera, principalmente pelas suas capacidades de geração a geração. É como usar um elemento de paraíso artificial, que cada vez ...