Vou começar a falar sobre como cada um é fruto de sua
árvore, e neste sentido, quero especificamente dizer que somos frutos de nosso
meio, ainda posso espezinhar mais: filho de peixe, peixinho é. Talvez, devido
ao fato de hoje ser dia trinta e um de outubro e à relação do meu cargo eu
possa ser mais distinta e ofensiva com você,
jovem padawan: nós somos os demônios e fantasmas escarrados das misérias
de nossos criadores.
Ah, mas não se
desespere, afinal se por acaso se desesperar é só um reflexo do seu acúmulo e
herança tanto familiar quanto da tribo com a qual conviveu. Ele é o termo mais
adequado para nossa geração que reconhece infância e adolescência e eu nasci
nos anos oitenta e vivi minha adolescência nos anos noventa, no Brasil.
Dentro da minha
casa eu tinha influências e fora dela outras quem é parceiro deve estar dando
um sorrisinho de ladinho, à pegada Dean Winchester, lembrando de como era a sua
turma e das roupas que usava. Além das muitas prováveis brigas com os pais, já
que pais que incentivavam tatuagens, piercing e cabelos tingidos na década de
1990 era mito, raridade, dava para contar nos dedos do nosso querido Lula,
figura já popular desde sempre.
Pois eu, que não
tinha muita noção, tinha a minha própria rainha das trevas em casa! Nem vou
dizer o tamanho do sutiã que a atriz que veio à sua mente devia usar, mas que é
popular até hoje e permeava o imaginário trevoso da criançada da época e quiçá
da criançada de hoje, afinal, sutiã para quê? Esta personagem foi um bom
exemplo de feminismo.
No mais, melhor
revelar o outro bom exemplo que eu tive para você logo de uma vez, não é?
Ícone, rainha, a dama das trevas que me ensinou a gostar do mórbido e do
soturno, pagar pau para o Drácula e crushar vilões como o vampirinho loirinho
que o Kiefer Sutherland fez em Garotos perdidos, meu primeiro crush? Não tenho
certeza, mas era um vilão viscoso...Aquela que combinava com as crianças "É para fechar os olhos nas
cenas de terror!" e abraçava a gente, fechando nossos olhos com as mãos,
coisa que não adiantava, pois eu via tudo, ahaha, nunca contava para ver mais,
e era sempre na casa da madrinha Maria, esta de quem vos falo é simplesmente a
DIVOSA minha mãe! Na casa da
madrinha, com os meninos dela e meu irmão, leda lembrança de sanguinolência e
mutilação, melhor coisa do mundo!
Essas duas mulheres
sempre arrasaram na minha criação! Quando nos mudamos, não deixamos os
assombros, assassinatos, sequestros e perseguições psicopáticas de lado, mas é
claro que cada coisa em seu tempo! Havia muita superstição e aquele maravilhoso
seriado "Além da imaginação" que afinou o meu gosto pela ficção
científica, e junto a franquia de Alien, que até hoje é meu queridinho, mesmo
que quando eu tenha tentado assistir ao primeiro novamente eu tenha visto a
luva do traje e rido mais quetudo. Esse
é um lado meu mais distante do lado da minha mãe, ela prefere uma tendência
mais scare. De qualquer maneira, eu só tenho a agradecer a minha musa do terror
pelo seu maravilhoso gosto que fazia meu pai passar pela sala correndo como um
condenado.
Como acabei de
dizer, hoje não temos o mesmo padrão de gosto, mas dividimos diversas e
obscuras experiências, especialmente as de nível gore e scare suave, talvez
devido ao fato das nossas experiências pessoais, desde que eu sai do meio de
convivência exclusivo do lar.
E como Raul Seixas
já dizia, eu já fui Hippie e gótica, usei um batom cinza lindíssimo que a minha
madrinha me deu (a contra gosto, eu amavaaaaa) , adoro usar uma boa e velha
camiseta de banda (e as pessoas me julgam por isso) e tento fazer uma tatuagem
por ano,depois de certa idade virei
vegetariana (desde 2017) eesta crônica
pode falar do sentido da vida que é cortar o cabelo para parar de usar produtos
e veganizar, isto aconteceu em 2019, e agora, em novembro começarei a contar a
data de "vegana de vez"
Cabelos curtos são
um tabu na nossa sociedade e eu posso dizer que passo perreio com quem está no
entorno, mas na minha prática pessoal é libertador como escrever, como publicar
e como ser vegana.
Vou terminar este texto com um grande salve à
rainha das trevas que é minha mãe, Solange, à rainha das trevas que há em mim,
e definitivamente mandar um beijo pra minha mãe, pra minha madrinha, pra minha vó e pra
Xuxa!
Se eu paro A paralisia é um sinal Mas o diagnóstico É possível Da passividade Do profissional E não de mim Se há veneno Ou é psicossomático O corpo É social Posso falar Mas a audição É real ou virtual? A minha ação não Faz mais que condição E o planejamento Condiz com a prática E a ática Reverberação dissociativa Literária precisa de uma Relação interlocutiva Ou não Não mais Não mais Não mais O resultado é solitude É solidão É produto Não é reduzido É produto Pro du to A di ver são A ca bou 16/4/2021
3/7/2023 No ruído incessante das salas de aula, desenrola-se uma batalha silenciosa, imperceptível aos demais. Uma garota carrega consigo a condição da misofonia, uma hipersensibilidade auditiva que transforma até os sons mais sutis em tortura angustiante. Cada riso, tosse ou mastigação ao seu redor é como uma agulha afiada cravada em seus ouvidos, mergulhando-a em uma profunda aflição. Enquanto se esforça para se concentrar nas lições, a cacofonia invasiva enche sua mente, minando sua capacidade de aprendizado. Em casa, a situação não é diferente. Os sons do dia a dia se transformam em tormento, convertendo as refeições em um campo minado e mesmo as conversas mais triviais em uma fonte inesgotável de dor. Assim, a protagonista enfrenta um sofrimento constante, buscando refúgio em ambientes silenciosos ou nos fones de ouvido, que, ao abafar os ruídos com suas músicas preferidas, lhe proporcionam um alívio temporário. A cada dia, ela trava uma batalha entre o desejo de se integrar socia...
Comentários
Postar um comentário