Pular para o conteúdo principal

A lenda do asfalto

 

Quando a humanidade vivia toda em apenas um planeta, ela tinha um objetivo de planificar
todo o seu território e seu terreno, assim como deixar de tocar em pó e poeira. Então, eles inventaram uma coisa chamada asfalto para colocar sobre a terra batida: era algo preto e duro que impedia a terra, a água e a vida de saírem debaixo dele e a vida e o ar e a água de cima dele de se infiltrarem para baixo.

Eles começaram colocando isso nas vias de caminhar, chamadas ruas. Chamaram estes lugares de avançados, e depois colocaram por sobre a terra toda. Era impermeável. Não continha sentimentos e nem mesmo se importava com a estabilidade para a caminhada das pessoas sobre ele, por isso foi preciso começar a forrar os pés de todas as pessoas para andar sobre o asfalto, pois quando esquentava, as pessoas tinham que andar pulando sobre ele até achar uma parte sombreada, impedindo que caminhassem adequadamente. Além de quê, não impedia o acúmulo de poeira sobre o asfalto.

Para forrar as solas dos pés tentaram usar borracha, palha, folas secas, todos os tipos de coisas, e conseguiram fazer vários tipos de forro para amarrar aos pés, e as pessoas passaram a andar com os pés amarrados com forros para as solas para caminhar sobre o asfalto só para não pisar na terra. Aconteceu de as pessoas não pisarem na terra e nem no asfalto, pois cada pessoa pisava sobre seu forro individual.

Com o tempo e tantos forros que foram se inutilizando e sendo jogados no mar e nos rios, somados a água que não ia para outro lugar, visto que o asfalto não a absorvia, as pessoas acabaram tendo muitos problemas, principalmente quando acabaram cobrindo toda a terra de então terminaram de cobrir toda a terra, pois o que aconteceu foi que lugares que não eram líquidos passaram a ser, e as pessoas que tinham coisas secas passaram a ter coisas perdidas pelas enchentes e não entendiam o motivo daquilo.

No final das contas, as pessoas tinham terra batida, asfalto sobre a terra, poeira sobre o asfalto que estava sobre a terra batida, e finalmente o dilúvio sobre a poeira que estava sobre o asfalto que impermeava a terra batida.


13/8/2021

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Poema unicórnio

 Se eu paro A paralisia é um sinal Mas o diagnóstico É possível  Da passividade  Do profissional E não de mim Se há veneno Ou é psicossomático O corpo É social Posso falar Mas a audição É real ou virtual? A minha ação não  Faz mais que  condição  E o planejamento Condiz com a prática E a ática  Reverberação dissociativa Literária precisa de uma Relação interlocutiva Ou não Não mais Não mais Não mais O resultado é solitude É solidão É produto  Não é reduzido É produto Pro du to A di ver são  A ca bou 16/4/2021

O anel da falecida de Edson Gabriel Garcia

 

Eternidade no chinelo

Dormíamos todos no mesmo quarto, e já tínhamos uma sala nesta altura da vida. A gente dormia em beliche, eu e meu irmão, e como sou mais velha ficava embaixo. A mãe nos botava para dormir cedo, depois de um dia cheio  de “ô mãaaae, olha ele!”, “foi ela!”, - chinelo voador. Isto, de fato, era todo dia e geralmente íamos dormir magoados e de bundas quentes. Anos 90 eram diferentes, vocês precisam entender, não é uma ode  à violência contra a criança. Pois é, mesmo assim os chinelos, sempre os chinelos, e todas as vezes que aquele moleque subia na beliche largava os dele lá do alto para eu ter que arrumar os chinelos virados, já que estes eram motivo de medo e raiva, pois continham muito poder. Ele chiava: “Desvira.” “Não” - chiava eu de volta “Se ela morre, a culpa é tua.” “O chinelo é teu.” “Eu estou pedindo.” - Miava. “Não.” “...” “Não. Não. Não. Não. ...” Ele descia e desvirava o dele, pegava os meus e os virava lá do outro lado do quarto, dizendo: “Ah é, é? Você vai ver!” D...