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A flor no asfalto

Por que eu sou parte ódio e por que eu sou parte amor, esse poema é para Frida e para Drummond, mas vem da minha mãe

15 mar 2024

É preciso amar demais para permanecer. 
A capacidade de mar transcende o cais 
E a efemeridade está na nau do ser!

Navegar é subterfúgio, 
Resistir é o real poder: 
Enquanto no útero há o refúgio
A promessa na semente é perene.

Quantas vezes será necessário atravessar o portal? 
Quanto tempo leva uma vida 
Até que se possa enxergar o reflexo na água 
Da proa ao céu, da proa ao mar,

Ao aportar, sem que se encare o mar? 
De cais a cais, sem despertar de sonhos, 
Vai vagando sem sobriedade
E de homem a homem, negociam-se a alteridade, 
Capitalizam-se os afetos, dispostos em vitrines.

A efemeridade dá um preço a todo valor, 
A efemeridade flerta com o suicídio, 
A efemeridade padroniza a sua cara 
A efemeridade faz de todos princípio masculino, 
Aportado, ainda é preciso amar demais para permanecer.

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